Panorama da Investigação Qualitativa nas Empresas – 1º episódio

Panorama da Investigação Qualitativa nas Empresas – 1º episódio

Artigo QNOW Panorama da Investigação Qualitativa nas Empresas – 1º episódio
António Pedro Costa, Universidade de Aveiro (Portugal). Investigador do Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF), Departamento de Educação e de Psicologia, da Universidade de Aveiro e colaborador do Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência de Computadores (LIACC), da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

António Pedro Costa, Universidade de Aveiro (Portugal)

Investigador do Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF), Departamento de Educação e de Psicologia, da Universidade de Aveiro e colaborador do Laboratório de Inteligência Artificial e Ciência de Computadores (LIACC), da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Em 2012, fui convidado para apresentar uma palestra para professores do ensino básico e secundário. Já nessa altura, o meu foco estava relacionado com o estudo de métodos e técnicas de análise de dados, essencialmente qualitativos. Indaguei-me várias vezes sobre como chegar aos Professores que ainda não tinham passado pela transformação de obter o grau de mestre ou de doutor. A maioria dos Professores que pretendem realizar investigação apontam como principal barreira a limitação de tempo. Pretendem conciliar a atividade investigativa com a atividade docente. Uma forma de rentabilizar tempo e de poder aplicar à prática letiva as competências adquiridas ao longo de um estudo, é o de focar os estudos naquilo que fazemos diariamente. Assim, propus a comunicação “Uma Sala de Aula: uma floresta de dados”.  Uma sala de aulas permite ao Professor explorar várias técnicas de recolha de dados, tais como: observação, aplicação de inquéritos (por questionário e por entrevista), grupos de discussão. Fazendo a analogia com o mundo empresarial, li, recentemente, um artigo de opinião intitulado “Quebrar o Paradoxo: Organizações Ricas em Dados…mas Pobres na Análise e Tomada de Decisão” de Bernardo Almada-Lobo. O que identifiquei como uma potencialidade (ou lacuna) em 2012 é refletido neste texto. O desafio passa por compreender a importância dos dados qualitativos no apoio à tomada de decisão. A maioria dos gestores recorrem, essencialmente, a dados quantitativos. Contudo, a triangulação deste tipo de dados com os qualitativos ou a exploração apenas da vertente qualitativa potencia a tomada de decisão, porque permite compreender em determinado contexto um acontecimento/problemática.

Dentro deste alinhamento, surgiu o QUAL4Business (qual4b.ludomedia.org), evento dedicado à investigação qualitativa, dirigido a gestores, investigadores e decisores. O QUAL4B foca-se em processos e soluções inovadores, com o intuito de ajudar gestores e decisores a enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades do mundo movido a dados, tomar decisões baseadas em factos e alcançar valor de negócio. Com foco em métodos de análise de dados qualitativos, o QUAL4B tem como missão apresentar boas práticas, estudos de caso e ferramentas que forneçam aos participantes conhecimento e estratégias para otimizar o desempenho dos seus negócios, desde a recolha de dados ao analyticsbusiness intelligence, tomada de decisão e operações…

Dentro das abordagens qualitativas, existem imensos métodos, técnicas de recolha e de análise de dados. Os estudos etnográficos (método) ajudam a compreender o comportamento dos clientes/consumidores e perceber a economia comportamental através de uso de narrativas (técnica). Há alguns anos, a Ludomedia recorreu à Teoria das Representações Sociais no âmbito de um projeto de consultoria a uma empresa. A Direção pretendia aferir a percepção dos colaboradores sobre a empresa, bem como a forma como as representações sociais estavam ancoradas a determinadas dimensões, tais como: relações interpessoais; evocações sobre o quotidiano profissional; evocações sobre satisfação, evocações sobre procedimentos de trabalho, evocações sobre a fábrica em si, evocações de cunho negativo.

Dependendo do seu setor de atuação e dos seus objetivos, existem imensas áreas em que as empresas podem usar dados qualitativos. Alguns exemplos:

  • Estudos de mercado: as empresas podem recolher dados qualitativos para entender melhor as necessidades, expectativas e comportamentos dos seus clientes e do mercado em que atuam. Esses dados podem ser obtidos por meio de entrevistas, grupos focais e outras técnicas de recolha de dados.
  • Recursos humanos: as empresas podem recolher dados qualitativos para entender melhor as percepções e opiniões dos seus colaboradores sobre diversos temas, como clima organizacional, satisfação no trabalho e cultura corporativa.
  • Desenvolvimento de produtos: as empresas podem utilizar dados qualitativos para entender melhor as necessidades e preferências dos clientes em relação a produtos e serviços. Esses dados podem ser obtidos por meio de testes de usabilidade, entrevistas com utilizadores e análise de feedback.
  • Análise de concorrência: as empresas podem recolher dados qualitativos para entender melhor as estratégias e pontos fortes dos seus concorrentes. Esses dados podem ser obtidos por meio de análise de media sociais, entrevistas com clientes e análise de relatórios de mercado.
  • Gestão de projetos: as empresas podem utilizar dados qualitativos para entender melhor as percepções e opiniões dos membros da equipa em relação a um projeto. Esses dados podem ser obtidos por meio de entrevistas, grupos focais e outras técnicas de recolha de dados.

As sociedades atuais geram quantidades de informação maiores do que nunca e este processo tende a aumentar exponencialmente. Isto representa desafios e oportunidades para empresas em todo o mundo. Da recolha e análise de dados à tomada de decisão, há um caminho que deve ser percorrido com o apoio da tecnologia, para se atingir os resultados desejados. A implementação de uma estratégia eficaz baseada em insights pode fornecer às empresas uma vantagem competitiva de mercado e proporcionar-lhes estabilidade de longo prazo. No 2º episódio, vamos partilhar algumas técnicas de análise de dados qualitativos que foram ou podem ser exploradas em contexto empresarial.

Bibliografia

Almada-Lobo, B. (2023). Quebrar o Paradoxo: Organizações Ricas em Dados… mas Pobres na Análise e Tomada de Decisão. Retrieved March 9, 2023, from Porto Business School website: https://www.pbs.up.pt/pt/artigos-e-eventos/artigos/artigo-organizacoes-ricas-em-dados-mas-pobres-na-analise-e-tomada-de-decisao (Original work published)

Carlos, V., & Costa, A. P. (2021). Tomada de Decisão em Investigação-Ação: Aplicação ao Contexto Académico e Empresarial (1a). Oliveira de Azeméis – Aveiro – PORTUGAL: Ludomedia – Building Knowledge. (Original work published) OpenAI. (2021). GPT-3.5 (ChatGPT). Acedido a 17 de março de 2023, de https://openai.com/blog/chatgpt/

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